O protesto contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trem fechou uma pista da avenida Paulista, na região do centro de São Paulo, por volta das 17h20 desta terça-feira. O bloqueio estava na altura da praça do Ciclista, fechando todas as faixas no sentido Consolação.

Os manifestantes se concentraram na praça e saíram em passeata. Mais cedo, houve ainda protestos de policiais civis e servidores da saúde na avenida.

A Polícia Militar fez um cordão humano para afastar o grupo da via. Os manifestantes usavam bandeiras, máscaras, sinalizadores e latas de spray.

O Corpo de Bombeiros posicionou um carro de combate a incêndios em frente à praça. Segundo eles, o carro foi levado de forma preventiva.

Um cinegrafista da TV Globo foi hostilizado por manifestantes, que jogaram caixas de papelão nele e cercaram a equipe de reportagem da emissora. A Polícia Militar informou ter levado um efetivo de 400 policiais para acompanhar a manifestação.

Com o protesto, os seguranças do Metrô reforçaram a vigilância nas entradas das estações, nas calçadas, e afirmaram que poderiam fechar as entradas caso houvesse grande aglomeração de pessoas ou confusão durante o protesto, como já ocorreu na semana passada. Na ocasião, o Metrô estimou prejuízo de R$ 73 mil.

Além da segurança reforçada no metrô, alguns prédios como o Safra, na esquina com a rua Augusta, colocaram grades diante da entrada, para evitar a aproximação dos manifestantes. Algumas empresas também liberaram os funcionários mais cedo para evitar o protesto.

Esse foi o terceiro protesto feito contra o aumento das passagens de ônibus em menos de uma semana. Na quinta-feira (6), manifestantes liderados pelo Movimento Passe Livre fecharam avenidas como a Nove de Julho, a 23 de Maio e a Paulista.

Houve confronto com a polícia e os manifestantes deixaram um rastro de vandalismo pela região, com pichações, placas e lixos danificados. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para conter o grupo. Na sexta-feira (7) houve outro protesto, dessa vez no bairro Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

A passagem foi reajustada de R$ 3 para R$ 3,20 no último dia 2. A inflação desde o último aumento nos ônibus da capital, em janeiro de 2011, foi de 15,5%, de acordo com o IPCA (índice oficial, calculado pelo IBGE). No caso do Metrô e dos trens, o último reajuste ocorreu em fevereiro de 2012. Se optassem por repor toda a inflação oficial, a gestão Fernando Haddad (PT) teria de elevar a tarifa para R$ 3,47 e o governo Alckmin, para R$ 3,24.

Fonte: Folha.com